LA OBRA DE UREÑA RIB

CUENTOS

DEL LIBRO FÁBULAS URBANAS

OBRA PICTÓRICA

DEL LIBRO DECIR LA PIEL

 
 
NARRATIVA DOMINICANA

 

FÁBULAS URBANAS

LA PUTANA DE PERPIGNAM

FERNANDO UREÑA RIB

 

 

 

A putana de Perpignam

 

A Putana de Perpiñam

 


"Maromas tão tristes"

Matsuo Bascho



Nou me o crerás, mas faz algumas noites tive um inesperado encontro com uma mulher que quase me deslumbra pelo sagaz de sua percepção. A Puta de Perpignam , fez-se chamar, ainda que em princípio não o parecia. Era uma mulher miúda e cinza, de boca grande e vermelha que me recordava aquela de Toulouse de chapéu e plumagem, que pintasse uma vez o maestro Lautrec. Quando a ouvi falar, ébria e irônica, soube que em mais de um sentido "de sua boca se poderiam fazer duas,"como dissesse Pablo Neruda de sua amada Matilde.

Bom, espera, não é quizás o que pensas. Encontrei-a muito deteriorada, num restaurante português, a prima noite do domingo: Eu tinha ido parar a Perpignan por um desses jogos conspícuos que o destino ou a imprevisión as vezes nos impõem: o trem me habia abandonado a isso das oito sem um franco, naquela estação inóspita. Supunha-se que fosse a Paris em meu caminho desde Barcelona, onde nos dias anteriores à Noite de San Juan , tinha passado eu uns dias memoráveis, a minhas largas, tomando canas desde o meio dia e provando aqui e lá as delícias da culinária espanhola no laberíntico bairro gótico. Nas noites me aventurava pelos almenares do bárrio árabe, ou bem saía a tomar ar fresco deambulando pelos bares que enfeitam os atracaderos do porto. As noites as concluía no Hotel Santa Marta depois de umas fulminantes copas de orujo.

Mas a razão de meu inesperado alto em Perpignan é que o controlador do trem me exigiu que lhe pagasse em moeda francesa o custo das liteiras. Não levava um franco, disse-te, assim que me vi forçado a abandonar aquele trem e procurar mudança na casinha da estação , que como era de esperar-se estava fechada a noite de domingo. Vagando pelos arredores me encontrei com um casal de amigos que vivem em minha cidade e a quem fazia anos que não via. Contaram-me que lhes tinha tocado a eles similar destino. Não tinha mais remedeio do que retomar a rota no incômodo trem das três da madrugada, que não exigia já o pagamento das liteiras O que nos encontrássemos sem aviso, a três mil quilômetros de distância, numa pequena cidade do sul de França era só um dos elos dessa corrente de peripécias inesperadas que te relatarei:

No restaurante português meus amigos e eu ordenamos lapin e vinho. Desde uma mesa vizinha a madame nos ouvia celebrar o fortuito do encontro e se acercou à nossa com sua garrafa de vinho "Meu trem me deixou faz muitos anos" nos disse e halando uma cadeira adicionou: "Ouvi o que conversavam. Importa-lhes se me sento com vocês?" Antes de esperar a resposta já estava sentada conosco vertendo vinho em sua copa. "A única diferença é que meu trem vinha de Paris. Eu tinha só vinte anos e um amor que se foi para sempre nesse mesmo trem, e me deixou varada aí, sem um cêntimo, na plataforma ao que vocês baixaram. O resto da história ficou escrito em minha pele. Passearam-se todos por minhas mãos: generais, señoritos, vagabundos.

Todos vinham a mim a tirar-se a sede ou o frio. Alguns regressavam de quando em vez. Sob meus cobertores não tinham raça nem casta, não tinha idioma nem fé. TEVE-OS altos e anões, gordos, fornidos, extravagantes, ateus, puristas, religiosos, ricos, néscios, arrogantes. Nada mais fazia vê-los e sabia de onde vinham, a que iam e qual era o nome de sua dor ou de seu medo. Sê o que trazem nas malas, o que escondem embaixo do casaco. Basta-me olhá-los e o descubro ao vôo. Entre os homens conheço ao triunfador e ao derrotado, sê quem é mesquinhos e quem generoso. Crede-me que este lenço secou muitas lágrimas e espantou muitas moscas."

E o amor, não voltou a entrar em sua cama, Senhora ? –lhe perguntei curioso.

Não me chames Senhora, por favor, me sentiria xingada. Meu trabalho não é tão fácil como o delas, quem nem se imaginam a forçada intimidade com um homem estranho, de quem ignoras seu nome, sua história e seu idioma, mas não seus desejos. Que são sempre os mesmos.

Neste ponto, a esposa de meu amigo começou a sentir-se molesta e se tivesse marchado a não ser porque a Madame a tranqüilizou alçando a copa com um sorriso e um amigável gesto de cumplicidade

Quiçá possa você chamar-lhe amor. Dessas coisas uma nunca está segura. Só sei que no meio do fastio, do vendaval de carícias apressadas que ofereci como alívio ao passageiro, me consuela ver dois ou três vezes ao mês, o rosto de Silvano. Ainda vem a meu, azul e uniformado. Sua camisa já não cheira ao hollín dos trens de antanho, mas ao igual que a mim, se lhe nota na testa e nas mãos, o cansaço das noites de insônia. Unem-nos, mais do que o amor, a solidão e a esperança. Conheço de cor seus itinerários, assim que lhe vejo passar rapidamente, como o verão destas praias e agito este lenço no que ele tantas vezes chorou. Meu velho controlador ferroviário prometeu que se retirará comigo a seu sótão, desde a que se divisa o bairro gótico de Barcelona. Quiçá possa você chamar-lhe amor, porque o amor vive sobretudo de promessas, de futuro.

As horas se nos foram de pressa, escutando aquela mulher e seus episódios de homens calvos, acróbatas e palhaços de circo. "Maromas tão tristes" pensei recordando o Haiku do velho Basho. Pouco antes das três ouvimos nosso trem apitar na distância. Entramos a um compartimento sem liteiras e o vinho e as histórias nos fizeram dormir profundamente. Já passado Lyon, e a isso das sete acordou-nos o controlador em sua rotina, perfurando os bilhetes. Era um senhor alto, de testa despejada, mãos huesudas e alongadas. Não vai-lo crer, se te digo que na lapela de seu uniforme, sobre o distintivo, atingimos a ler em silêncio: Silvano López, Agente Ferroviário.

FERNANDO UREÑA RIB
 

LA CUCARACHA, LA CUCARACHA


"La cucaracha, la cucaracha ya no puede caminar..."

Iba una cucaracha caminando rápidamente por una emblanquecida acera de la Callé de Alcalá, cuando súbitamente fue lanzada a la vitrina de una joyería por un salpicón de nieve. Era el rojo Ferrari del príncipe que resplandecía veloz en aquella inusitada blancura de Madrid. La primera reacción de la cucaracha, mientras se deslizaba vidriera abajo, fue la de vengarse. Yo no lo sabía, pero las cucarachas suelen ser vengativas y es preciso ejercer cautela. Pero entonces ella observó que el vehículo dio de un golpe un frenazo, retrocedió a gran velocidad y se aparcó frente a la joyería. El esbelto príncipe surgió del carruaje. Lucía un traje de pana gris y encima un abrigo de piel negra orlado con armiño que le sentaba muy bien. Abrió la portezuela y descendió una joven hermosa a la que acompañó hasta la joyería. 

La cucaracha afinó las antenas y pidió por radio recomendaciones a sus superiores en el claustro. La frecuencia era muy alta y la recepción no era de lo mejor, de modo que los mensajes llegaban distorcionados hasta la cucarachita. Sin embargo, las órdenes fueron precisas: No debía tomar acción alguna sino simplemente grabar toda la escena con el video de sus antenas, transmitirlo, si la calidad de transmisión lo permitía o simplemente guardarlo en el archivo de sus antenas y mostrarlo en la próxima reunión del claustro.

El príncipe hizo que le mostraran a la dama algunos broches, anillos, collares y prendedores engarzados en oro y diamante. Rechazó zafiros, rubíes, amatistas y esmeraldas. Ella buscaba un ágata. Seleccionó un prendedor con incrustaciones de oro blanco y filigranas de platino. El príncipe pagó en efectivo e hizo que le envolvieran el regalo en un fino y crujiente papel japonés rojo. Aquí la grabación de video no es muy clara, porque las antenas se mueven rápidamente y sobreviene una súbita oscuridad. 

Nuestra cucaracha comienza a oír entonces el estridente ronroneo del motor del Ferrari. Cuando logra ver de nuevo la luz, ella se encuentra en una recámara real. Se oyen risas. Las mucamas han abierto el regalo y colocan el ágata en la mesa que está al lado de la tina. Mientras la princesa se dispone a desnudarse y tomar un baño caliente, la cucaracha sale disimuladamente del paquete, ubica las oxidadas tuberías de la bañera e Intenta llamar al claustro, pero la señal es muy débil, imperceptible apenas. Ella imagina que está lejos del radio de Madrid. 

La princesa está a solas, sumergida en las aguas burbujeantes de la tina, cosa que no le impide oir el crujir de los goznes ni ver cómo se abren las pesadas puertas de la recámara. Hunde su tierno cuerpo rosado en el agua caliente. La cucaracha llama al claustro. No hay respuesta. Llega el príncipe. Se despoja del sable, de las medias de tafetán gris, de los guantes y breteles. Cuando está desnudo y a punto de zambullirse en la tina con la joven, la cucaracha recuerda la imperdonable ofensa de haberle arrojado con un sucio salpicón de nieve sobre la dura e inhóspita vidriera de la joyería. El príncipe está erguido frente a la joven dama. Ella no se atreve a mirar aquello, pero mira su ágata y recobra las fuerzas. Ella entonces se ase firmemente del príncipe quien desciende con ella a las profundidades de la gran bañera.

Otra vez la cucaracha siente en sus alas el imperdonable salpicar del agua y se abalanza sobre el príncipe en el mismo momento en que él intenta besar los labios de la tierna princesa. El grito se oyó en el cielo. Sonaron todas las alarmas y hubo un gran desparpajo en el Palacio cuando príncipe y princesa saltaron de la tina y corrieron desnudos y horrorizados los pasillos del Escorial. 

Sin embargo esa noche cenaron todos juntos como en los buenos tiempos de la Corte de Felipe II. Vinieron bufones, condes, vizcondes y lacayos y por supuesto el rey, la reina y la cucaracha quienes se apersonaron allí, al gran comedor del Palacio, porque esa noche eran las fastuosas fiestas de Navidad, y todos, absolutamente todos debían de disfrutarlas.


Fernando Ureña Rib
 

 

Ureña Rib has seen his work exhibited around the World and holds a prominent position on the Art scene in his own country, but he admits to be particularly drawn to Montreal, which he visits annually. Renting a studio in the downtown Belgo Building, he immerses himself enthusiastically in the creative and diverse atmosphere of Montreal producing here his works.

FERNANDO URENA RIB

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Revisado: April 14, 2013
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