
Cândido Portinari
Estudou pintura na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Em
1928 ganhou um prêmio de viagem e partiu para a Europa, renovando sua
pintura a partir de então. Em 1935 recebeu premiação pela tela "Café" na
mostra anual do Carnegie Institute de Pittsburgh. Dedicou-se cada vez
mais à criação de murais - na sua maioria encomendados pelo governo
brasileiro.
A produção de Portinari foi muitas vezes comparada a dos
muralistas mexicanos, não só quanto ao suporte, mas também pela temática
- o interesse pela questão social, a narração eloqüente e a
monumentalidade. Em suas obras, os retirantes nordestinos, os
trabalhadores rurais de membros deformados, os tons de marrom e os de
roxo dos campos cultivados, expressam a força da terra. A partir de 1944
passou a abordar também temas de sua infância no interior paulista.
Em
1948 sofreu influências abstratas e, na década de 50, pintou a série dos
cangaceiros, de cores mais intensas. A viagem que realizou em 1956 a
Israel transformou sua pintura. Usou seu traçado firme para concretizar
formas mais compactas e agressivas.
1903
Candido Portinari nasce numa fazenda de café, em Brodowski, São Paulo,
no dia 29 de dezembro.
Seus pais foram os imigrantes italianos Batista Portinari e Domênica
Torquato, que tiveram 12 filhos.
"Nasci numa fazenda de café. Meus pais trabalhavam na terra...
Mudaram-se da fazenda Santa Rosa para a estação de Brodósqui - onde não
havia ainda povoado; eu devia ter dois anos de idade.
No local viviam com meus pais minha vó paterna, um tio e uma tia ambos
irmãos de meu pai. Lembro-me vagamente da casa e do armazém; havia um
quarto cheio de melancias e de caixa de vinho do Porto. Estas caixas
vinham sempre com surpresa. Grande foi minha alegria quando numa veio um
pequeno canivete com cabo de madrepérola." (Paris, 29 de novembro de
1957)
1909
O menino começa a desenhar.
1912
Participa, durante vários meses, dos trabalhos de restauração da Igreja
de Brodowski, ajudando os pintores italianos a "Dipingere Le Stelle".
Mais tarde, auxilia um escultor frentista.
"O vigário João Rulli desejava encomendar uma porteira e não se
entendiam, peguei um papel e desenhei a porteira. O padre ficou olhando
para mim e disse: _ Amanhã chegará o frentista para ornamentar a fachada
da nova igreja. Você deve ir vê-lo e aprender. Ricardo Luini era o nome
do meu escultor. (...) Quando terminou, deu-me uma prata de dois mil
réis e uma viagem a Ribeirão Preto. Pessoa muito boa. "
(Retalhos de minha vida de infância)
1914
A partir de uma carteira de cigarros, Portinari faz a lápis um retrato
do músico Carlos Gomes.
A família guarda o desenho.
1918
Viaja para o Rio de Janeiro. Tem aulas de desenho no Liceu de Artes e
Ofícios. Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes, na qual estuda
desenho e pintura. Seus professores foram Amoedo, Batista da Costa,
Lucílio Albuquerque e Carlos Chambeland.
"Quanto mais próxima a partida mais aflito ficava. Olhava o chão, as
plantas, os animais, as aves e aquela luz... Parecia que nunca mais iria
ver tudo aquilo que era parte de mim mesmo. Quantas lágrimas derramei às
escondidas. Vi e revi mil vezes todos os recantos. Saudade incontida do
que ficava. (...)
Procurava ensaiar para não ser traído pela emoção. Ia
à casa de minha vó, trocava duas palavras e saía vencido, qual , não era
possível. Voltava para casa, falava com minha mãe e sentia-me
impossibilitado de dizer palavras. Não poderia despedir-me.
Preferia não
ir mas necessitava ir, estava na idade. O sol, a lua, as estrelas, as
águas do rio, o vento, tudo ficaria lá e eu encontraria o escuro."
Paris, setembro de 1958
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